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» “UMA TRISTE
EXPERIÊNCIA”
E o mais interessante é
que muitas vezes essas pessoas quando ligam e são
informadas do preço de um exemplar, a altura de ser
um representante da raça, costumam dizer: “Mas
não quero um cão pra exposição,
ele apenas vai ficar em casa, como companhia, não
justifica gastar tanto...”. Pelo visto não
é uma situação isolada, todos os criadores
são afetados por essa “epidemia”: a banalização
da raça.
Só pra vcs. terem idéia,
o que aconteceu com uma pessoa próxima a mim, acontece
diariamente por esse Brasil a fora. Também sem o
intuito de criação ou exposição,
anos atrás, ela adquiriu um exemplar em uma feira
realizada dentro de um conhecido shopping em Salvador. Segundo
ela, existiam muitos que diziam ser criadores de Labrador,
mas um stand acabou chamando atenção devido
à limpeza, o asseio dos filhotes ali presentes. Chegando
ao mesmo, eles trataram de colocar a filhotinha no seu colo,
daí o inevitável apego... Argumentos mil:
criação própria, contrato, pedigree
CBKC, carteira de vacinação, consulta gratuita
em sua pet shop, amostras de ração, etc. Conseguiram
convencê-la a comprar! Até houve cena de choro,
na despedida do animal, por parte de uma figura lá.
Enfim, tudo parecia muito bom! Apenas parecia...
Após efetuar o pagamento,
foi orientada a pegar a documentação na pet
shop. Logo de primeira vieram com um pedigree ACB, quando
o combinado era CBKC. Ao exigir seus direitos que constavam
em contrato, o discurso mudou totalmente: “Não
temos interesse algum em lhe fornecer um pedigree CBKC”.
Ela se oferece a registrar a cadela por conta própria,
bastando eles fornecerem a documentação necessária.
Mas se depara com outro problema: constava que a cadela
era filha de irmãos inteiros, o que é expressamente
condenado pelos estatutos da CBKC. Ofereceram um pedigree
de um outro cão para registrar a cadela. Isso mesmo!
Forjar um cruzamento que nunca existiu para poder efetuar
o registro prometido. Indignada com a falta de caráter
deles, ela se negou a fazê-lo. Em busca de alternativas,
descobriu que os cães que originalmente seriam os
genitores da filhotinha, não eram de criação
e nem se quer propriedade deles. Pra ser mais exato, em
busca do verdadeiro criador que constava no pedigree, descobriu-se
que esses cães haviam sido vendidos para eles e a
pilantra, a chefe da quadrilha (não posso caracterizá-la
de maneira diferente) vendeu os filhotes e não repassou
os documentos de pedigree para os donos por direito. O que
ela fazia com os mesmos? Simulava cruzamentos para registrar
ninhadas de cães SEM PROCEDÊNCIA alguma como
“labradores”, dentre outras raças.
Chegou-se a conclusão
que até mesmo o pedigree inicial fornecido, era uma
farsa. Pra completar (e era de se esperar!), a cadela após
chapa, teve a constatação de displasia acentuada.
Indignação, frustração, raiva
e sede de justiça levaram a pessoa a entrar com uma
ação contra a pilantra, na vara da defesa
do consumidor... a audiência foi marcada para o ano
que vem (a justiça nesse país, além
de cega, também é manca). Espero que pelo
menos, se faça justiça.
Temos
ai vários fatores que a levaram a passar por essa
decepção: falta de conhecimento na hora
da aquisição, falta de uma fiscalização
por parte dos emissores de pedigrees e impunidade, por
que a pilantra da história continua com sua pet
shop e anúncios nos classificados comercializando
vários cães, inclusive “labradores”.
Tornar públicos fatos como esses, acredito já
ser o início para combater essa epidemia existente.
Agora, até que ponto os Kennel Clubes são
responsáveis?
Grande
abraço,
Moisés Trigo
Skylabs Labradors
Salvador, BA.
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